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Os verbos populares

Os verbos populares

22
Nov21

The Great (2020-?)

Francisco Chaveiro Reis

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Regressou para a segunda aparição uma das mais refrescantes e originais séries dos últimos anos. The Great mostra-nos a alemã agora russa, Catarina, a Grande (Elle Fanning) a querer ser maior do que o marido, o Imperador Pedro (Nicholas Hoult) e a roubar-lhe a coroa e a dignidade, mesmo estando prestes a dar à luz o primeiro filho do casal. Na primeira temporada, Catarina era uma jovem ingénua e à mercê de uma corte hostil. Agora, fez amigos e aliados e está disposta a tudo para conquistar o povo e fazer, de facto, a Rússia crescer. Começa por depor o marido e continua ao tranca-lo numa ala do palácio. E entre mil uma parvoíces, caralhadas e coronhadas, lá vai ela, merecendo o seu epiteto. 

Catarina é bonita, sensível e culta. E quer que as meninas russas venham a ser mulheres como ela, mesmo que as mães delas só queiram saber de bons genros e dos mexericos normais. Pedro, vive à sombra da grandeza do pai mas o que lhe interessa é a comida, as batalhas, a caça e principalmente, todos os rabos de saia. Uma maravilha de escrita, um humor de primeira. Imperdível.

 

16
Nov21

Shang-Chi (2021)

Francisco Chaveiro Reis

 

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Shaun (Simu Liu) arruma carros num hotel em São Francisco. Tem uma casa modesta e conta com a companhia de Katy (Awkwafina) no dia a dia, desde que chegou aos EUA, por volta dos 14 anos. Quando o duo é atacado num autocarro por uma trupe de malfeitores, que inclui um gigante musculado com uma lâmina no lugar de um braço e Shaun os derrota, através do domínio perfeito de artes marciais, algo muda. Shaun conta então como foi a sua vida nos primeiros 14 anos de vida. Como nasceu do amor entre um senhor da guerra imortal e a guerreira guardiã de uma mítica vila que protege o mundo de um perigo inimaginável. Como os pais se retiraram dos seus deveres para viverem em paz e o terem a ele e à sua irmã. Como a mãe foi assassinada e o pai voltou à sua vida antiga. Como foram treinados para serem guerreiros mortíferos. Como fugiu do pai e deixou para trás a irmã.

De regresso à China, com a companhia de Katy, Shaun, aliás, Shang-Chi viaja para a aldeia da mãe, onde conhece o seu legado e o tenta proteger do pai, louco de saudades que pensa nela como estando viva, mas, prisioneira. Amostra de uma nova fase dos filmes Marvel, Shang-Chi é um triunfo visual, de lutas bem coreografadas e muito bom humor.

 

15
Nov21

The Book Tour (2020)

Francisco Chaveiro Reis

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The Book Tour

Andi Watson

Top Shelf Productions, 28,5 euros

Exemplar comprado na Kingpin Books

5 em 5 estrelas

 

Em The Book Tour, acompanhamos o escritor inglês pouco mais do que desconhecido, G. H. Fretwell, numa tournée de promoção do seu novo livro. À medida que esta avança, aumentam as datas, diminui a qualidade dos hotéis e mantem-se o número de leitores desejosos de comprar uma cópia autografada: zero. Para além do fracasso da expedição, palpitamos que as coisas com a senhora Fretwell não correm da melhor forma e que o editor não tem muito interesse no próximo manuscrito. Numa camada kafkiana, Fretwell vê-se, ainda, metido no caso de um assassino em série e interrogado pela polícia. Uma das melhores graphic novels do ano.

12
Nov21

Maus (1980 a 1991)

Francisco Chaveiro Reis

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Maus

Art Spiegelman

Ten Speed Press, 18 euros

Exemplar comprado na Bertrand

5 em 5 estrelas

 

Li banda desenhada toda a minha infância. De Tintim a Asterix, passando por Gaston, Tio Patinhas ou Turma da Mônica. Durante anos deixei para trás essa paixão e li apenas livros sem cor por dentro. Foi já nos trintas que regressei à BD e descobri o conceito de graphic novel. Uma das primeiras obras que me apresentaram como obrigatória foi Maus, de Art Spiegelman.

Maus, primeiro graphic novel a vencer o Prémio Pulitzer, em 1992, conta a história do pai de Art, um judeu polaco, sobrevivente do Holocausto. Mas aqui há um imaginário muito próprio: os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos (os predadores dos primeiros, claro) e os polacos, como porcos. A ação tem dois tempos. Um, a atualidade do livro (fim dos anos 70), no qual Vladek (na sua forma muito própria de falar que à primeira mais parece um erro de tradução). Outro, a juventude de Vladek e a sua ida e sobrevivência no campo de concentração. Imaginativo e único, Maus é uma perspetiva original do Holocausto e das feridas que deixou em cada sobrevivente, explicando os seus defeitos atuais.

11
Nov21

Jack Kirby: the epic life of the king of comics (2020)

Francisco Chaveiro Reis

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Jack Kirby: the epic life of the king of comics

Tom Scioli

Ten Speed Press, 27 euros

Exemplar comprado na Amazon

5 em 5 estrelas

 

O nome do belo volume de Tom Scioli diz ao que vem. Quer homenagear a vida da lenda Jack Kirby e quer coloca-lo acima de todos os outros. Pelo que se vê e lê, quer coloca-lo sobretudo acima de Stan Lee. Num estilo muito próprio, seguimos a vida de Jack desde o seu nascimento, vendo as experiências que fizeram dele um homem aguerrido, trabalhador, que nunca desistia. Acompanhamos o nascer da sua paixão pelos comics mas sobretudo, acompanhamos as suas criações, sozinho ou em conjunto de heróis como Thor, Spiderman, Fantastic 4 ou Capitão América. Para mim, no entanto, o mais interessante, para além das aparições de Stan Lee, são todas as histórias que Kirby criou e não tiveram tanto sucesso e ainda a parada de estrelas do meio com os quais trabalhou. Um livro imperdível.

 

10
Nov21

Superstore (2015-2021)

Francisco Chaveiro Reis

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Superstore (Netflix) não tem nada de complicado em si mas não deixa de ser uma série meritória e sobretudo muito engraçada. Descreve as desventuras dos empregados de uma enorme loja americana – Cloud 9 – centrando-se sobretudo no novato Jonah (Bem Feldman) e no seu amor platónico, Amy (America Ferrara). Como pano de fundo, existe uma miríade de personagens secundários, todos bastante…peculiares.

08
Nov21

North Water (2021)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (3) (16).pngNorth Water é, como a HBO, nos habituou uma série negra e pesada, mas, de uma qualidade inegável. Nela, conhecemos Patrick Summer (Jack O’Connell), médico do exército inglês, caído em desgraça, que se junta a um navio baleeiro, para tratar as maleitas de marinheiros, algures em 1850. A bordo do The Volunteer, Summer conhece homens duros, com poucos escrúpulos e com o pensamento no lucro que advém de assassinar focas e baleias. Homens como Henry Drax (Colin Farrell), bêbado, rude, agressivo e sem problemas em matar homens ou bestas. Mestre arpoeiro é dele que vêm as cenas menos humanas e é ele que se eleva como vilão nesta história onde, na verdade não há grandes heróis mesmo que Summer e o capitão Brownlee (Stephen Graham) apresentem laivos de honra. Uma minissérie tão dura quanto imperdível.

07
Nov21

Eternals (2021)

Francisco Chaveiro Reis

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Há menos de uma semana vi “Nomadland – Sobreviver na América”, um filme contemplativo e introspetivo sobre uma viúva - Frances McDormand – que deixou para trás uma vida “normal” para andar na sua autocaravana, um pouco por toda a América. Um filme do universo Marvel parece não ter qualquer ponto de contacto com esta aventura indie, mas, neste caso tem e chama-se Chloé Zhao. A chinesa de 39 anos, mais conhecida por filmes como Nomadland do que por outra coisa, realizou um dos novos filmes da nova fase da Marvel. E fê-lo brilhantemente, ela que também é fã dos comics e filmes de super-heróis.

Eternals, que dura quase três horas, marca a diferença para a fase anterior de Avengers e companhia. Tem algum humor, tem bons e maus e muitas sequências de luta, mas tem mais do que isso, mesmo que isso, bem feito, seja mais do que suficiente. Eternals é iminente filosófico e parece procurar o sentido da vida e a relação entre criador e cria. Mas recuemos um pouco. Os nossos heróis são 10 (de todas as raças, idades e feitios) e estão na Terra há cerca de sete mil anos com a missão única de proteger a Humanidade de uma alcateia de vilões animalescos conhecidos como Deviants. Com estes mortos há cerca de cinco mil anos, os Eternals mantem-se por cá, a tentar viver vidas normais, espalhados pelo mundo. Claro que no início do filme ficamos a saber que os “maus” estão de volta e que o velho gangue tem que se reunir.

Os dez Eternals – Sersi (Gemma Chan), Ikaris (Richard Madden), Thena (Angelina Jolie), Ajak (Selma Hayek), Kingo (Kumail Nanjiani), Sprite (Lia McHugh), Phastos (Brian Tyree Henry), Makkari (Lauren Ridloff), Druig (Barry Keoghan) e Gilgamesh (Ma Dong-seok) – não envelhecem, têm aparência humana e para além do seu papel de defensores, têm como objetivo ajudar a humanidade a desenvolver-se mesmo que não estejam autorizados a interceder em conflitos humanos (vemos os conquistadores espanhóis a irromper pelo império Maia) ou outros, como aquele que interpôs Thanos aos Avengers.

Contando a sua vida em milhares ou mesmo milhões de anos, os Eternals obedecem a Arishem, uma espécie de Deus guia, criador, em forma de gigantesco robô vermelho e será a relação com ele que determinará o rumo do filme, num triunfo claro de Chloé Zhao e, mais uma vez, da Marvel.

01
Nov21

Fome (2021)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (6) (5).pngFome

 Martin Ernstsen e Liliete Martins

Cavalo de Ferro, 22 euros

Exemplar comprado no ECI Online

3 em 5 estrelas

 

O norueguês Knut Hamsun (1859-1952), prémio Nobel da Literatura em 1920, alcançou o seu primeiro grande êxito com Fome, de 1890, no qual descreve a vida miserável de um escritor profundamente pobre, que luta contra as alucinações vindas da privação de alimento, tentando ir aqui e ali escrevendo algo que lhe renda umas coroas. Há ainda um quê de masoquismo e de tentativa de salvar a face já que, mesmo em alturas em que tem dinheiro, o protagonista acaba por os dar a alguém igualmente com fome ou ter assomos de nobreza como quando paga rendas a uma senhoria que já nada esperava dele. Este clássico da literatura mundial que acaba de ganhar uma versão gráfica, traduzida por Liliete Martins e ilustrada por Martin Ernstsen. Se a história em si já não surpreende ninguém, esta versão tem a vantagem de poder dar-se a liberdades gráficas criativas, sobretudo na descrição dos estados extremos de fraqueza e alucinação que sofre o nosso narrador.

25
Out21

Dune (2021)

Francisco Chaveiro Reis

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Remake do clássico de 1984, adaptado do aclamado livro de Frank Herbet lançado 19 anos antes, Dune convoca uma legião de estrelas (Chalamet, Zendaya, Isaac, Fergunson, Momoa, Skarsgard, Brolin ou Bardem) para voltar a contar a história de Paul Atreides, herdeiro de uma das mais fortes famílias do universo e visto por alguns como um Messias. A Paul cabe preencher o papel do pai como líder de uma das maiores Casas do Universo; da mãe, como alguém com poderes psíquicos e o de Messias, perante os que acreditam nele, enquanto tenta viver uma histórica de amor shakespeareana. Aos comandos do projeto megalómano, que terá nos anos vindouros, uma parte dois, está o canadiano Denis Villeneuve que já tinha recriado o mundo de Blade Runner em 2017, com Blade Runner 2049, numa espécie de treino para esta empreitada.

A ação coloca-nos no ano 10.191 no planeta Arrakis, um gigantesco deserto, cheio de perigos e habitado por um povo aguerrido (Fremans) mas onde existe uma preciosa especiaria essencial ao funcionamento do mundo de então (equivalente ao petróleo, hoje). O Imperador Shaddam IV decide retirar o controlo do planeta à cruel Casa Harkonnen e passa-lo para a nobre Casa Atreides. Mas a mudança é apenas um ato mesquinho já que o imperador inveja o Duque Leto Atreides (Isaac) e pretende que a vida num planeta inóspito, o deixe à disposição do inimigo, Barão Harkonnen (Skarsgård). Tão à margem da cena político-bélica, quanto lhe é possível o filho de Leto, Paul (Chalamet), tem visões que resultam dos poderes herdados da mãe, Lady Jessica (Ferguson), integrante de uma antiga ordem. E as visões dizem-lhe que ele é o tal, o escolhido. Para o quê? Não sabemos. Ainda. Um trinfo.

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