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Os verbos populares

Os verbos populares

25
Out21

Dune (2021)

Francisco Chaveiro Reis

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Remake do clássico de 1984, adaptado do aclamado livro de Frank Herbet lançado 19 anos antes, Dune convoca uma legião de estrelas (Chalamet, Zendaya, Isaac, Fergunson, Momoa, Skarsgard, Brolin ou Bardem) para voltar a contar a história de Paul Atreides, herdeiro de uma das mais fortes famílias do universo e visto por alguns como um Messias. A Paul cabe preencher o papel do pai como líder de uma das maiores Casas do Universo; da mãe, como alguém com poderes psíquicos e o de Messias, perante os que acreditam nele, enquanto tenta viver uma histórica de amor shakespeareana. Aos comandos do projeto megalómano, que terá nos anos vindouros, uma parte dois, está o canadiano Denis Villeneuve que já tinha recriado o mundo de Blade Runner em 2017, com Blade Runner 2049, numa espécie de treino para esta empreitada.

A ação coloca-nos no ano 10.191 no planeta Arrakis, um gigantesco deserto, cheio de perigos e habitado por um povo aguerrido (Fremans) mas onde existe uma preciosa especiaria essencial ao funcionamento do mundo de então (equivalente ao petróleo, hoje). O Imperador Shaddam IV decide retirar o controlo do planeta à cruel Casa Harkonnen e passa-lo para a nobre Casa Atreides. Mas a mudança é apenas um ato mesquinho já que o imperador inveja o Duque Leto Atreides (Isaac) e pretende que a vida num planeta inóspito, o deixe à disposição do inimigo, Barão Harkonnen (Skarsgård). Tão à margem da cena político-bélica, quanto lhe é possível o filho de Leto, Paul (Chalamet), tem visões que resultam dos poderes herdados da mãe, Lady Jessica (Ferguson), integrante de uma antiga ordem. E as visões dizem-lhe que ele é o tal, o escolhido. Para o quê? Não sabemos. Ainda. Um trinfo.

18
Out21

Seinfeld (1989-1998)

A série sobre nada

Francisco Chaveiro Reis

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Desde 1 de outubro que as nove temporadas de Seinfeld estão disponíveis para consumo na Netflix. São 180 episódios de pura genialidade, saídos da cabeça dos comediantes, Jerry Seinfeld, que protagoniza a série, numa versão exagerada de si próprio e Larry David (sairia após a sétima temporada, só regressando para o episódio final).

 

A primeira série, apenas com cinco episódios, mostrava ao que vinham Seinfeld e David. Em Nova Iorque, um grupo único de amigos vivia pequenas aventuras do quotidiano, pegando em temas nunca antes explorados por parecerem insignificantes. Criou-se o mito que a sitcom era sobre nada, mas, na verdade, era apenas sobre nada que tivesse sido já visto na televisão mundial.

 

A riqueza de Seinfeld parece-me estar também nos personagens secundários que gravitam à volta dos principais ao longo de toda a série, em vez de desaparecerem após um ou dois episódios. O vizinho, carteiro e inimigo de Jerry, Newman (Wayne Kinght), mesquinho e cheio de esquemas; os pais de Seinfeld, sempre a achar que o filho não é bem sucedido e que precisa de dinheiro; os pais de George (inclui Jerry Stiller como pai Constanza), sempre em acesas discussões ou Susan Ross (Heidi Swedberg), que trabalha para a empresa que analisa o projeto de Jerry e George para uma sitcom, se torna namorada e umas temporadas mais tarde, noiva de George, são exemplos de personagens ricas, que evoluem e que se envolvem na ação, dando uma sensação de que esta está viva e imita a vida real, onde de facto, podemos reencontrar amigos e conhecidos a qualquer altura.

Mas, claro o ouro está no núcleo central. Jerry, Elaine, George e Kramer são os protagonistas da melhor série de comédia de sempre e, logo, os mais icónicos personagens de sempre. Jerry é um comediante bem-sucedido com diversas atuações em clubes de comédia em todo o país e algumas aparições na televisão; gosta de se vestir bem, tendo uma boa coleção de ténis e gosto por novos casacos; abre a porta de casa aos amigos e vizinhos, mas não gosta muito de falar ou contactar com estranhos e, claro, tem bastante sucesso com as mulheres. É ele que muitas vezes levanta as questões essenciais de cada episódio.

 

Elaine Benes (Julia Louis-Dreyfus) é uma ex-namorada de Jerry que aos poucos se vai sentido à vontade para falar com ele sobre novos namorados, naquela que é a sua busca (na verdade, de todos) eterna na série. Benes passa por diversos empregos (editora ou assistente pessoal de excêntrico milionário) e é uma mulher de causas (pró-aborto, por exemplo) o que contrasta com a sua personalidade mais maleável na hora de encontrar companhia e até com uma certa futilidade. É a única mulher que consegue conviver constantemente com os outros protagonistas.

 

George Contanza (Jason Alexander) é um nova-iorquino gordo, baixo e careca que ainda assim raramente tem falta de mulheres a querer sair consigo, pelo, menos até o conhecerem. Constanza é forreta, neurótico e desconfiado e passa a vida a mentir. Depois de uma fase em que está no desemprego, vê-se, sem saber como, no seu emprego de sonho, a trabalhar para os New York Yankees.

 

Cosmo Kramer (Michael Richards) – Kramer (só descobrimos o primeiro nome, muito avançados na série) é o vizinho excêntrico de Jerry, aquele que lhe entra porta dentro, várias vezes ao dia, para fazer comentários inoportunos, pedidos absurdos ou simplesmente para se servir do frigorifico. Com um penteado espalhafatoso e roupas vintage, nunca se percebe ao certo qual é a sua ocupação, mas nunca lhe faltam ideias de negócios que, invariavelmente, falham.

 

 

01
Out21

Graphic Novels Orwellianas

Francisco Chaveiro Reis

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Orwell

Pierre Christin e Sébastien Verdier 

Selfmadehero, 22 euros

Exemplar comprado via Amazon

3 em 5 estrelas

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Animal Farm

Odyr

Penguin, 17 euros

Exemplar comprado via Amazon

4 em 5 estrelas

//

1984

Fido Nesti

 Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company,

Exemplar comprado na Fnac, 20 euros

4 em 5 estrelas

 

2021 tem sido ano de furiosas reedições das obras de George Orwell e edições de biografias. No verão, saiu a edição portuguesa de Orwell, uma adaptação gráfica da vida do escritor inglês, da autoria de Pierre Christin e Sébastien Verdier com a participação, em algumas páginas, de convidado como André Juillard, Enki Bilal ou Juanjo Guarnido. Se não há dúvidas sobre a arte dos diversos desenhadores e sobre a vida interessante que Orwell teve, o livro acabou por não me conquistar, sendo, a espaços, chato. Ainda assim, não me senti arrependido com a compra, tendo em conta as várias dimensões da vida de Orwell, que não conhecia.

Senti-me bem mais feliz com as adaptações de Animal Farm (O Trinfo dos Porcos) e 1984. A versão banda desenhada da história de como um grupo de animais se vê a gerir uma quinta, expulsando os humanos, até que o sistema supostamente fraternal se vai degradando, não é, de todo nova, mas o traço do brasileiro Odyr tornam esta versão obrigatória para aqueles que já leram o livro original ou até para quem não leu. A edição portuguesa saiu, entretanto.

Numa altura em que já vida nas bancas uma edição diferente, escrevo sobre a graphic novel de 1984, que saiu primeiro.  Fido Nesti consegue simplificar um pouco o texto da distopia de Orwell acabando por democratizar a conhecida história. É, tal como Animal Farm, um verdadeiro triunfo.

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