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Os verbos populares

Os verbos populares

On Tiranny (2021)

Francisco Chaveiro Reis
26
Jan22

Design sem nome (1).pngOn Tiranny

Timothy Snyder e Nora Krug

Random House USA, 20 euros

Exemplar comprado na Amazon

5 em 5 estrelas

 

On Tiranny é uma obra prima. Já era na sua versão “normal” na qual Snyder nos ensina vinte formas de evitarmos ou de lutarmos contra a tirania, dando exemplos do regime nazi ou soviético e como certos acontecimentos (ou todos) poderiam ter sido evitados. Esta versão dá a mesmas lições, mas fá-lo fazendo-se acompanhar de ilustrações criativas e únicas que fariam, só por si, um livro de sucesso.

Vitória (2016-2019)

Francisco Chaveiro Reis
12
Jan22

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O melhor que se pode dizer que Vitória, em streaming na Disney +, é que nada deve a The Crown, a celebrada série da Netflix, centrada na Rainha Isabel II. Vitória, claro, centra-se na célebre Vitória, rainha entre 1876 e 1901, mas, numa fase pouco conhecida, a da sua juventude. Encontramos Vitória como jovem adulta com o trono a cair-lhe no colo e com muitos à sua volta a duvidarem das suas capacidades. Vemos então uma nobre de 18 anos e metro e meio a impor-se num mundo de homens e a enfrentar familiares e políticos, para fazer sempre o que achou correto e melhor para o seu povo. Junta-se a ela, Alberto, primo e agora, marido, para múltiplos desafios, até à altura da Exposição Universal de 1851, em Londres, já com Vitória com vários filhos e numa fase mais madura da sua vida. Infelizmente, não há planos para uma quarta temporada mesmo que possamos consultar os livros de história para saber o que aconteceu a Alberto no último episódio da terceira temporada.

O Burlão nas Índias (2021)

Francisco Chaveiro Reis
05
Jan22

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O Burlão nas Índias

Alain Ayroles e Juanjo Guarnido

Ala dos Livros, 30 euros

Exemplar comprado na Fnac

4 em 5 estrelas

Em 1626, foi editado o livro, História de la vida del Buscón, llamado don Pablos; ejemplo de vagamundos y espejo de tacaños, que se tornaria num volume central na história da literatura espanhola. O seu autor terá sido Francisco Quevedo, que nunca admitiu a autoria, possivelmente por medo da inquisição. Chegou, no ano passado, aos escaparates lusos a sua versão em novela gráfica (na verdade, uma versão que pega na história de Pablos no ponto em que o livro original a deixara), numa edição de luxo, com capa dura, com preço condizente.

Pablos, o herói d´O Burlão nas Índias, nasceu de uma família onde o principal mandamento era não trabalhar. Logo, trapaceou tudo e todos desde o berço e, procurando novas vítimas e o ouro fácil, logo se aventurou em novos mundos, no tempo em que os ibéricos os descobriam e exploravam. Pablos, natural de Segóvia, vai para as Índias onde encontra locais, escravos africanos e compatriotas, apenas para os ludibriar a todos, ora com disfarces e planos elaborados, ora aproveitando as oportunidades que lhe aparecem à frente. Rico e pobre, senhor e servo, amigo e inimigo, Pablos não para nos surpreender até à última página de uma novela bem escrita, desenhada e colorida. Uma viagem divertida, a não perder.

O Relatório de Brodeck (2021)

Francisco Chaveiro Reis
04
Jan22

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O Relatório de Brodeck

Manu Larcenet

Ala dos Livros, 39,95 euros

Exemplar comprado na Kingpin Books

4 em 5 estrelas

O Relatório de Brodeck, de Manu Larcenet é a adaptação para novela gráfica do livro de Philippe Claudel, lançado em 2007. O Brodeck do título é um homem, a caminhar para a velhice que regressa à sua aldeia após uma estadia num trabalho de campos forçados. A tranquilidade da aldeia, onde todos tentam curar as suas feridas, é abalada pela chegada de um misterioso estrangeiro. O forasteiro acaba por fazer um retrato certeiro, mas pouco lisonjeiro da povoação e acaba linchado.

É a Brodeck que se pede que se faça um relatório que branqueie o acontecimento. Mas, o nosso anti-herói tem dois diários. Aquele que lhe foi pedido e aquele onde anota os seus pensamentos sobre o acontecimento, mas também sobre a guerra, os seus tempos de prisioneiro e o dia a dia de hoje e do pré-guerra.

Tal como em vários livros de J. M. Coetzee, a ação de O Relatório Brodeck não tem tempo nem espaço bem definido. Sabemos que se passa numa pequena aldeia, numas montanhas cheias de neve e que os seus habitantes falam uma espécie de alemão. O campo onde Brodeck esteve e onde assistiu a inúmeros enforcamentos dá toda a sensação de ser um campo de concentração, mas nunca ficamos a saber ao certo onde ou quando estamos.

Numa fabulosa edição, grande e luxuosa, O Relatório de Brodeck vale bem os 40 euros que custa e é uma aposta certeira para qualquer fã de graphic novels.