Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Os verbos populares

Os verbos populares

05
Jan22

O Burlão nas Índias (2021)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (2).png

O Burlão nas Índias

Alain Ayroles e Juanjo Guarnido

Ala dos Livros, 30 euros

Exemplar comprado na Fnac

4 em 5 estrelas

Em 1626, foi editado o livro, História de la vida del Buscón, llamado don Pablos; ejemplo de vagamundos y espejo de tacaños, que se tornaria num volume central na história da literatura espanhola. O seu autor terá sido Francisco Quevedo, que nunca admitiu a autoria, possivelmente por medo da inquisição. Chegou, no ano passado, aos escaparates lusos a sua versão em novela gráfica (na verdade, uma versão que pega na história de Pablos no ponto em que o livro original a deixara), numa edição de luxo, com capa dura, com preço condizente.

Pablos, o herói d´O Burlão nas Índias, nasceu de uma família onde o principal mandamento era não trabalhar. Logo, trapaceou tudo e todos desde o berço e, procurando novas vítimas e o ouro fácil, logo se aventurou em novos mundos, no tempo em que os ibéricos os descobriam e exploravam. Pablos, natural de Segóvia, vai para as Índias onde encontra locais, escravos africanos e compatriotas, apenas para os ludibriar a todos, ora com disfarces e planos elaborados, ora aproveitando as oportunidades que lhe aparecem à frente. Rico e pobre, senhor e servo, amigo e inimigo, Pablos não para nos surpreender até à última página de uma novela bem escrita, desenhada e colorida. Uma viagem divertida, a não perder.

04
Jan22

O Relatório de Brodeck (2021)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (1).png

O Relatório de Brodeck

Manu Larcenet

Ala dos Livros, 39,95 euros

Exemplar comprado na Kingpin Books

4 em 5 estrelas

O Relatório de Brodeck, de Manu Larcenet é a adaptação para novela gráfica do livro de Philippe Claudel, lançado em 2007. O Brodeck do título é um homem, a caminhar para a velhice que regressa à sua aldeia após uma estadia num trabalho de campos forçados. A tranquilidade da aldeia, onde todos tentam curar as suas feridas, é abalada pela chegada de um misterioso estrangeiro. O forasteiro acaba por fazer um retrato certeiro, mas pouco lisonjeiro da povoação e acaba linchado.

É a Brodeck que se pede que se faça um relatório que branqueie o acontecimento. Mas, o nosso anti-herói tem dois diários. Aquele que lhe foi pedido e aquele onde anota os seus pensamentos sobre o acontecimento, mas também sobre a guerra, os seus tempos de prisioneiro e o dia a dia de hoje e do pré-guerra.

Tal como em vários livros de J. M. Coetzee, a ação de O Relatório Brodeck não tem tempo nem espaço bem definido. Sabemos que se passa numa pequena aldeia, numas montanhas cheias de neve e que os seus habitantes falam uma espécie de alemão. O campo onde Brodeck esteve e onde assistiu a inúmeros enforcamentos dá toda a sensação de ser um campo de concentração, mas nunca ficamos a saber ao certo onde ou quando estamos.

Numa fabulosa edição, grande e luxuosa, O Relatório de Brodeck vale bem os 40 euros que custa e é uma aposta certeira para qualquer fã de graphic novels.

15
Nov21

The Book Tour (2020)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (2) (25).png

 

The Book Tour

Andi Watson

Top Shelf Productions, 28,5 euros

Exemplar comprado na Kingpin Books

5 em 5 estrelas

 

Em The Book Tour, acompanhamos o escritor inglês pouco mais do que desconhecido, G. H. Fretwell, numa tournée de promoção do seu novo livro. À medida que esta avança, aumentam as datas, diminui a qualidade dos hotéis e mantem-se o número de leitores desejosos de comprar uma cópia autografada: zero. Para além do fracasso da expedição, palpitamos que as coisas com a senhora Fretwell não correm da melhor forma e que o editor não tem muito interesse no próximo manuscrito. Numa camada kafkiana, Fretwell vê-se, ainda, metido no caso de um assassino em série e interrogado pela polícia. Uma das melhores graphic novels do ano.

12
Nov21

Maus (1980 a 1991)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (1) (32).png

Maus

Art Spiegelman

Ten Speed Press, 18 euros

Exemplar comprado na Bertrand

5 em 5 estrelas

 

Li banda desenhada toda a minha infância. De Tintim a Asterix, passando por Gaston, Tio Patinhas ou Turma da Mônica. Durante anos deixei para trás essa paixão e li apenas livros sem cor por dentro. Foi já nos trintas que regressei à BD e descobri o conceito de graphic novel. Uma das primeiras obras que me apresentaram como obrigatória foi Maus, de Art Spiegelman.

Maus, primeiro graphic novel a vencer o Prémio Pulitzer, em 1992, conta a história do pai de Art, um judeu polaco, sobrevivente do Holocausto. Mas aqui há um imaginário muito próprio: os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos (os predadores dos primeiros, claro) e os polacos, como porcos. A ação tem dois tempos. Um, a atualidade do livro (fim dos anos 70), no qual Vladek (na sua forma muito própria de falar que à primeira mais parece um erro de tradução). Outro, a juventude de Vladek e a sua ida e sobrevivência no campo de concentração. Imaginativo e único, Maus é uma perspetiva original do Holocausto e das feridas que deixou em cada sobrevivente, explicando os seus defeitos atuais.

11
Nov21

Jack Kirby: the epic life of the king of comics (2020)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (1) (30).png

Jack Kirby: the epic life of the king of comics

Tom Scioli

Ten Speed Press, 27 euros

Exemplar comprado na Amazon

5 em 5 estrelas

 

O nome do belo volume de Tom Scioli diz ao que vem. Quer homenagear a vida da lenda Jack Kirby e quer coloca-lo acima de todos os outros. Pelo que se vê e lê, quer coloca-lo sobretudo acima de Stan Lee. Num estilo muito próprio, seguimos a vida de Jack desde o seu nascimento, vendo as experiências que fizeram dele um homem aguerrido, trabalhador, que nunca desistia. Acompanhamos o nascer da sua paixão pelos comics mas sobretudo, acompanhamos as suas criações, sozinho ou em conjunto de heróis como Thor, Spiderman, Fantastic 4 ou Capitão América. Para mim, no entanto, o mais interessante, para além das aparições de Stan Lee, são todas as histórias que Kirby criou e não tiveram tanto sucesso e ainda a parada de estrelas do meio com os quais trabalhou. Um livro imperdível.

 

01
Nov21

Fome (2021)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (6) (5).pngFome

 Martin Ernstsen e Liliete Martins

Cavalo de Ferro, 22 euros

Exemplar comprado no ECI Online

3 em 5 estrelas

 

O norueguês Knut Hamsun (1859-1952), prémio Nobel da Literatura em 1920, alcançou o seu primeiro grande êxito com Fome, de 1890, no qual descreve a vida miserável de um escritor profundamente pobre, que luta contra as alucinações vindas da privação de alimento, tentando ir aqui e ali escrevendo algo que lhe renda umas coroas. Há ainda um quê de masoquismo e de tentativa de salvar a face já que, mesmo em alturas em que tem dinheiro, o protagonista acaba por os dar a alguém igualmente com fome ou ter assomos de nobreza como quando paga rendas a uma senhoria que já nada esperava dele. Este clássico da literatura mundial que acaba de ganhar uma versão gráfica, traduzida por Liliete Martins e ilustrada por Martin Ernstsen. Se a história em si já não surpreende ninguém, esta versão tem a vantagem de poder dar-se a liberdades gráficas criativas, sobretudo na descrição dos estados extremos de fraqueza e alucinação que sofre o nosso narrador.

01
Out21

Graphic Novels Orwellianas

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (4) (7).png

Orwell

Pierre Christin e Sébastien Verdier 

Selfmadehero, 22 euros

Exemplar comprado via Amazon

3 em 5 estrelas

//

Animal Farm

Odyr

Penguin, 17 euros

Exemplar comprado via Amazon

4 em 5 estrelas

//

1984

Fido Nesti

 Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company,

Exemplar comprado na Fnac, 20 euros

4 em 5 estrelas

 

2021 tem sido ano de furiosas reedições das obras de George Orwell e edições de biografias. No verão, saiu a edição portuguesa de Orwell, uma adaptação gráfica da vida do escritor inglês, da autoria de Pierre Christin e Sébastien Verdier com a participação, em algumas páginas, de convidado como André Juillard, Enki Bilal ou Juanjo Guarnido. Se não há dúvidas sobre a arte dos diversos desenhadores e sobre a vida interessante que Orwell teve, o livro acabou por não me conquistar, sendo, a espaços, chato. Ainda assim, não me senti arrependido com a compra, tendo em conta as várias dimensões da vida de Orwell, que não conhecia.

Senti-me bem mais feliz com as adaptações de Animal Farm (O Trinfo dos Porcos) e 1984. A versão banda desenhada da história de como um grupo de animais se vê a gerir uma quinta, expulsando os humanos, até que o sistema supostamente fraternal se vai degradando, não é, de todo nova, mas o traço do brasileiro Odyr tornam esta versão obrigatória para aqueles que já leram o livro original ou até para quem não leu. A edição portuguesa saiu, entretanto.

Numa altura em que já vida nas bancas uma edição diferente, escrevo sobre a graphic novel de 1984, que saiu primeiro.  Fido Nesti consegue simplificar um pouco o texto da distopia de Orwell acabando por democratizar a conhecida história. É, tal como Animal Farm, um verdadeiro triunfo.

30
Set21

Dragon Hoops (2020)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (3) (17).png

Gene Luen Yang

Roaring Brook Press, 22 euros

Exemplar comprado via Amazon

5 em 5 estrelas

Dragon Hoops é um livro autobiográfico sobre basquetebol de liceu, mesmo que o autor, Gene Luen Yang, nunca tenha tido interesse ou jeito para basquetebol ou qualquer outro desporto. Gene, sino-americano, aparece-nos na ação como professor de liceu/pai/autor de banda desenhada em busca da sua próxima história. Encontra-a na equipa de basquetebol do liceu e no perfil do seu treinador e jogadores. À medida que faz a pesquisa para o livro dentro deste livro, Gene vai-se apaixonando pelo jogo e tornando-se um membro da comitiva dos Dragons, a equipa do liceu Bishop O'Dowd High School. Gene mescla as histórias de cada um dos jogadores e treinadores (incluindo um já reformado e envolto em alguma polémica) com os relatos dos jogos da época e com a história do próprio jogo, não esquecendo a sua versão feminina. Uma leitura apaixonante que mistura uma aparentemente simples história de glória desportiva juvenil com a busca de identidade dos protagonistas e do próprio Gene, sempre a tentar conciliar os papeis da sua vida.

13
Set21

Lena (2021)

Francisco Chaveiro Reis

Design sem nome (1) (28).png

Pierre Christin e André Juillard

Arte de Autor, 30 euros

Exemplar comprado na livraria Santiago, em Óbidos

3 em 5 estrelas

Lena foi saindo no mundo francófono ao longo de catorze anos, entre 2006 e 2020, em três volumes. Por cá, se não tivemos possibilidade de apreciar Lena em português desde a sua criação, recebemos agora uma edição que junta as três histórias. Escrita por Pierre Christin (argumentista de Valérian) e desenhado por André Juillard (responsável por alguns álbuns de Blake e Mortimer), Lena é uma jovem francesa que perdeu o marido e o filho num atentando terrorista e se vê agora seduzida por um amigo do marido a juntar-se a um mundo de missões secretas.

Melancólica, Lena parece ser uma heroína por acaso, pouco se importando se está numa aldeia remota, longe de tudo ou num bom hotel cosmopolita. Lena parece ir vivendo, nos escombros da sua tragédia pessoal, usando o leitor com recetor de confissões enquanto mecanicamente cumpre as suas ordens. De forma mais interessante no primeiro volume “A Longa Viagem de Lena” onde, entrega objetos aparentemente inocentes a uma galeria de personagens com uma causa comum da qual excluem Lena e muito menos no último “Lena em Pleno Braseiro”, onde Lena se faz passar por uma concierge numa longuíssima conferencia de paz, com personagens crípticas e muito pouco ritmo. Pelo meio, em “Lena e as Três Mulheres”, faz de professora dos modos ocidentais para três mártires.

Pese embora a qualidade gráfica da obra e o atrevimento em criar uma personagem densa no meio de uma atmosfera à La Carré, a mistura nem sempre funciona e os dois últimos álbuns não parecem ter o fulgor do primeiro. Vale a pena ler, mas não é arrebatador.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub