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Os verbos populares

Os verbos populares

Choco Boys (2022)

Francisco Chaveiro Reis
15
Mai22

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Desde que vários cartoonistas foram convidados a dar a sua visão das suas aventuras, Lucky Luke ganhou nova vida. Desta vez é o alemão Ralf Konig que pega no icónico cowboy solitário, para aquela que será a melhor e mais interessante visão de fora, até agora, no argumento, escrita, desenho, cor e originalidade.  Em Choco Boys, Bud, lembra os dias em que conheceu o mítico Lucky Luke. Numa altura em que Bud, amante de outro homem, que vive com ele até ao presente, foi posto de lado e ninguém lhe dava trabalho. Até aparecer Lucky Luke e o escolher como companheiro de aventura. O chocolate suíço estava a chegar ao Oeste e era necessário quem guardasse cinco vacas europeias, após uma turbulenta viagem. É nesses dias de acalmia que vemos Lucky Luke e Bud muito próximos, com o cowboy solitário a ser, no mínimo tolerante e amigo do amor gay, enquanto índios e cowboys o vêm como um sex symbol gay. Konig recupera ainda Calamity Jane (que tem um caso gay) e os Irmãos Dalton e empresta o seu estilo a uma das personagens mais icónicas de sempre, e uma clara influência sua.

O combate quotidiano, 2 (2022)

Francisco Chaveiro Reis
10
Mai22

Visão de Peão (1).png

O Combate Quotidiano, Volume 2

Manu Larcenet

Arte de Autor/A Seita, 15 euros

Exemplar comprado na loja online d´Arte de Autor

5 em 5 estrelas

O Combate Quotidiano de Manu Larcenet está de regresso, com as duas últimas histórias de Marco, um fotografo com problemas de identidade e a tentar triunfar com a sua arte. No segundo volume, Marco (e nós) tenta recuperar da morte súbita do pai, reformado de um estaleiro em decadência, para sempre ligado à sua infância e juventude e alvo do seu último livro de retratos. Marco, que continua a lutar por fazer um trabalho relevante, tem que ajudar a mãe e o irmão a lidar com a morte, ao mesmo tempo que consola os velhos amigos do pai, prestes a ficarem sem emprego e descobre mais sobre a participação do pai na guerra da Argélia. Entre o diário de frases sucintas do pai, Marco acaba ele próprio por se tornar pai. Um livro complexo sobre a simplicidade da vida, que é já um dos grandes acontecimentos editoriais do ano, graças ao esforço conjunto d´A Seita e d´Arte de Autor. Obrigatório ler.

Branco em Redor (2022)

Francisco Chaveiro Reis
03
Mai22


Branco em Redor

Wilfrid Lupano e Stéphane Fert

Arte de Autor, 27 euros

Exemplar comprados na Bertrand

5 em 5 estrelas

Branco em Redor conta a história verídica de uma escola em Canterbury, Connecticut, em 1832. Uma escola para meninas…negras. Um dia, uma menina negra, inteligente e curiosa, quer saber mais e mais e Prudence Crandall não vê qualquer problema em admiti-la na sua escola, numa área sobretudo de brancos. Mas estava errada. Mesmo não havendo escravos ali, os negros não são bem vistos nem vistos como iguais. A pequena Sarah cria um tumulto e em breve, a escola está vazia. Pelo menos até Prudence transformar a escola apenas para meninas negras…de todo o país. Uma história de coragem e amor.

 

Corto Maltese: Oceano Negro (2021)

Francisco Chaveiro Reis
23
Mar22

Visão de Peão (1).png

Oceano Negro

Bastien Vivès e Martin Quenehen

Arte de Autor, 24 euros

Exemplar comprados no El Corte Inglès

3 em 5 estrelas

Sendo amante de banda desenhada, só aos 37 (quase, quase, 38) anos abri um livro com as aventuras de Corto Maltese, o aventuroso pirata criado por Hugo Pratt em 1967. Sem nada saber da ordem cronológica dos álbuns, comecei por Oceano Negro, numa bela edição da Arte de Autor, chegada aos escaparates no fim do ano passado. Ou seja, comecei por um volume segundo Hugo Pratt mas desenhado por Bastien Vivès e escrito por Martin Quenehen.

Ainda assim, agradeço por me ter lembrado de conhecer um clássico e anseio por ler mais volumes, em especial aqueles em que Pratt (1927-1995) teve participação direta. Em Oceano Negro, Corto não para. De um assalto em alto mar, em que participa e depois, interrompe, até aos Andes, passando pelo Japão, Corto está disposto a ser um herói inconvencional e único, com a sua própria bússola moral. Oceano Negro apresenta Corto ao mundo atual, com referências ao 11 de setembro ou um encontro com uma namorada, ativista ambiental. Sinto não ter ainda conhecido o verdadeiro Corto, algo que farei em breve. 

The Loneliness of the... (2020)

Francisco Chaveiro Reis
16
Mar22

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The Loneliness of the Long Distance Cartoonist

Adrian Tomine

Faber and Faber, 21 euros

Exemplar comprados na Amazon

5 em 5 estrelas 

 

A primeira coisa a destacar neste livro é a sua fabulosa edição. Vem num caderno em tudo semelhante a uma agenda ou bloco Moleskine, com fita e marcador e até com a habitual indicação de “em caso de perda, devolva a”. No miolo, temos papel quadriculado,m que nem sempre ajuda na leitura mas que compõe o efeito. Mas esta “memoir” da vida de Adrian Tomine vale também, ou sobretudo, pelo conteúdo. The Loneliness of the Long Distance Cartoonist (brincadeira com The Loneliness of the Long Distance Runner, um conto dos anos 50, transformado em filme nos anos 60) mostra o percurso de Tomine, de miúdo nerd com um gosto demasiado intenso por comics até encontrar a sua tribo, de pares desenhadores e de outros fãs de banda desenhada. Vemos com frequência Tomine em edições da Comic Com e milhentos outros eventos onde não parece haver muita gente a dar-lhe valor e onde acaba por ser ignorado e confundido. Percebemos também que essa sensação de ser pouco importante também está mais em si do que nos outros. Acompanhamos a fase em que conhece uma mulher (que acha ser boa demais para ele) e constitui família. No fundo, acompanhamos uma carreira ascendente, sempre com os fantasmas da neurose a pairar, de forma bastante divertida. Pelo menos, para nós.

I Will Judge You..(2020)

Francisco Chaveiro Reis
10
Mar22

Visão de Peão (4).png

I Will Judge You For Your Bookshelf

Grant Snider

Abrams Books, 15 euros

Exemplar comprados na Amazon

3 em 5 estrelas

 

Este é um livro que mescla tiras de banda desenhada com ilustração e que pretende ser uma homenagem aos livros, bem como uma visão humorística dos leitores. Arranca sorrisos e gargalhadas facilmente, mas sendo lido de seguida, acaba por ser repetitivo e enfadonho. Sendo lido mais espaçadamente, deixa na mesma a sensação de alguma repetição, mesmo que exista – e há – um sentimento de identificação. Interessante.

Putin´s Russia (2022)

Francisco Chaveiro Reis
07
Mar22

Visão de Peão (5).png

 

Putin´s Russia - The Rise of a Dictator

Darryl Cunningham

Drawn and Quarterly, 29 euros

Exemplar comprados na Kingpin Books

4 em 5 estrelas

 

Infelizmente, poucos livros serão mais atuais do que este onde acompanhamos a vida e obra de Vladimir Putin desde a nascença até à presidência vitalícia (veremos). Uma janela para o pensamento e ações de Putin.

Armazém Central (2008 a 2011)

Francisco Chaveiro Reis
16
Fev22

Design sem nome.png Armazém Central

Volume 3 – Confissões / Montreal

Volume 4 – Ernest Latulippe / Charleston

Régis Loisel e Jean-Louis Tripp

Arte de Autor, 24 e 29 euros

Exemplares comprados na FNAC

5 em 5 estrelas

Depois de ter sido arrebatado pelos primeiros volumes, logo quis ir para as outras quatro histórias disponíveis em Portugal. Em Notre-Dame-Des Lacs, no Quebeque dos anos 20, voltamos a encontrar Marie, dona do armazém que é o centro da vida da povoação e Serge, veterano de guerra, sofisticado e endinheirado que por um acaso, se apaixonada pela terra e vai ficando. Em Confissões, fica claro para todos o porquê de Serge afinal não poder casar com Marie. Uns, como a própria, sabem a verdade (não farei spoilers), outros sabem uma mentira que sossega a aldeia. Mas, Marie tem necessidades românticas e físicas que acaba por satisfazer com um local, quase ao acaso. E é a descoberta desse affair que faz com quase todos se virem contra ela. Pressionada e algo farta da sua vida ali, Marie deixa a povoação rumo a Montreal, onde é apoiada por uma amiga de Serge e onde se entrega a prazeres que se negava há anos. Deixa-se seduzir, janta fora, faz compras, dança e faz o que quer. Não admira, pois, que quando volta, não seja já a mesma de antes mesmo que tenha vontade de voltar a ajudar todos os que a rodeiam, sobretudo após três meses em que ninguém fez de Marie, pelo menos a tempo inteiro. Marie regressa com nova mente, novas roupas e novos hábitos.

Já na primeira história do quarto livro, Marie conhece os irmãos Laulippe. Mercadores de peles, solidários e barbudos, os dois acabam por passar uma temporada em casa de Marie enquanto um deles recupera de um ataque de um urso. Solitária e com as mesmas necessidades de antes, desertas por Montreal, Marie acaba por olhar para um dos seus hospedes, com outros olhos. Algo que continua em Charleston, quando essa música, tocada ao vivo ou ouvida via grafonola vinda de Montreal, toma conta do Armazém e da vizinhança, levando a longos serões de dança e bebida. E, entretanto, volta a ser época dos homens irem ganhar o seu sustento, longe das mulheres.

Armazém Central (2006 e 2007)

Francisco Chaveiro Reis
03
Fev22

Design sem nome (2).pngArmazém Central

Volume 1 – Marie

Volume 2 – Serge / Os Homens

Régis Loisel e Jean-Louis Tripp

Arte de Autor, 20 e 26 euros

Exemplares comprados na FNAC

5 em 5 estrelas

O dia a dia de uma pequena povoação gelada no Canadá, nos anos 20, parece não ser grande ponto de partida para uma boa história. Mas, é. Na série Armazém Central, editada em Portugal pela Arte de Autor (que fabuloso catálogo), de Régis Loisel e Jean-Louis Tripp, com tradução de Pedro Cleto, a Notre-Dame-Des Lacs, no Quebeque de 1926. No primeiro volume conhecemos Marie, recém viúva. Trabalhava com o marido no armazém da aldeia, o único ponto comercial e agora, sem ele, desorientada, acaba por decidir seguir em frente com o negócio, vital para a comunidade. E é assim que assistimos a uma mulher em reconstrução a tomar as rédeas da sua vida, ao mesmo tempo que vamos conhecendo uma coleção de personagens enternecedoras, num cenário pobre, mas magnificamente representado pelos postais de Loisel e Tripp.

No segundo volume português, duplo, conhecemos Serge. Canadiano com passagem pela Europa e pela I Guerra Mundial, decide conhecer um pouco do mundo antes de assentar.  Chegado de surpresa e com a mota onde de desloca, avariada, acaba por ir ficando Notre-Dame-Des Lacs conquistando o pequeno meio com a sua gentileza e experiências que para todos os que o rodeiam, parecem ser ficção científica. Serge ajuda a matar um porco com a mesma facilidade que apresenta a refinada cozinha parisiense aos novos amigos, em pomposos jantares que oferece. Na segunda história, Serge continua a ser central na vida da aldeia, algo que não agrada nada aos “homens”, regressados da sua campanha da madeira, que lhes dá o sustento para o resto do ano. Vendo as mulheres e os mais velhos rendido às maneiras de Serge e ao seu restaurante, acabam por tomar de ponta o forasteiro, criando uma tensão nunca antes vista entre homens e mulheres. Existem mais dois volumes, a serem lidos e comentados em breve.

On Tiranny (2021)

Francisco Chaveiro Reis
26
Jan22

Design sem nome (1).pngOn Tiranny

Timothy Snyder e Nora Krug

Random House USA, 20 euros

Exemplar comprado na Amazon

5 em 5 estrelas

 

On Tiranny é uma obra prima. Já era na sua versão “normal” na qual Snyder nos ensina vinte formas de evitarmos ou de lutarmos contra a tirania, dando exemplos do regime nazi ou soviético e como certos acontecimentos (ou todos) poderiam ter sido evitados. Esta versão dá a mesmas lições, mas fá-lo fazendo-se acompanhar de ilustrações criativas e únicas que fariam, só por si, um livro de sucesso.